🌟 Mestre Yong Yu: O Grilo que Bateu na Parede
A caminho de volta para o Mosteiro Daci, vi um grilo pular repentinamente e bater diretamente numa parede. Ele pulou novamente, só para bater na parede de outro lado.
Franzindo a testa, exclamei involuntariamente: “Tolo, não dói?”
Ainda não tinha terminado de falar quando uma ideia surgiu em mim — eu estava claramente comovido com a sua dor, então por que raio minha palavra saiu como uma repreensão? Naquele instante, vi o contraste no meu próprio coração. A primeira intenção de compaixão foi coberta por julgamento.
Resulta que a prática espiritual não está longe, mas sim num único pensamento.
Aquele “tolo”, leve como um pólen, refletiu um hábito oculto no meu coração.
Achamos que compreendemos a compaixão, mas muitas vezes, nas palavras involuntárias, revelamos espinhos de julgamento.
Ao ver o erro dos outros, nossas palavras podem carregar bondade, mas nossos corações escondem superioridade;
Ao ver os seres perdidos, podemos querer estender a mão, mas nem sempre conseguimos deixar de lado nossos preconceitos.
Naquele momento, compreendi repentinamente — eu também sou aquele grilo.
Bater repetidamente entre as paredes da aflição e da inércia, esmagando a cabeça e sangrando, sem sequer perceber.
Cada julgamento é uma colisão; cada falta de atenção é uma perda.
Mais tarde, o grilo descansou por um momento, saltou novamente e finalmente escapou do muro.
A sua partida foi como uma lição para mim — bater na parede não é assustador, o assustador é não querer voltar atrás.
O início da prática espiritual está naquele pensamento de “estar disposto a voltar atrás”.
Buda disse: “Observa que a mente é impermanente, e verás a Natureza Búdica.”
Quando observamos a nós mesmos nas palavras, e cultivamos a atenção no momento em que um pensamento surge, podemos ver a fonte da compaixão — ela não está em clássicos distantes, mas no coração que está disposto a amolecer.
Ao anoitecer, o sol poente refletia-se no chão. Vi outro grilo, parado na grama ao longe, com as asas brilhando de um verde transparente à luz. Naquele momento, fiz uma reverência com as mãos e murmurei no coração: “Que todos os seres se libertem do sofrimento e alcancem a felicidade.”
A prática espiritual, na verdade, não é mais do que isso:
Aprender a voltar atrás na dor de bater na parede,
Recuperar a compaixão no instante do julgamento.
📝 重点词汇与表达 (Vocabulário e Expressões Chave)
1. 大慈庵 (Daci An): O Mosteiro Daci. (Daci significa "Misericórdia Grande").
2. 蚱蜢 (Zhàměng): O Grilo (ou gafanhoto).
3. 脱口而出 (Tuōkǒu ér chū): Dizer involuntariamente, sem pensar, de forma espontânea.
4. 心念 (Xīnniàn): Pensamento, intenção mental.
5. 习气 (Xíqì): Hábito (no contexto budista, refere-se a tendências mentais profundamente enraizadas).
6. 棘刺 (Jícì): Espinhos (usado aqui como metáfora para críticas afiadas).
7. 迷惘 (Míwǎng): Perdido, confuso, desorientado.
8. 头破血流 (Tóupò xuèliú): Esmagar a cabeça e sangrar (literalmente). Usado para descrever sofrer muito por insistir em algo.
9. 观心无常 (Guānxīn wúcháng): Observa que a mente é impermanente (não duradoura).
10. 佛性 (Fóxìng): Natureza Búdica (a essência iluminada dentro de todos).
11. 合掌 (Hézhǎng): Ajunção das palmas (gesto de reverência budista).
12. 离苦得乐 (Líkǔ dé lè): Libertar-se do sofrimento e alcançar a felicidade (um dos votos fundamentais do budismo).
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